segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Resiliência e Alcoolismo
O estudo da resiliência tem me apaixonado e motivado, quer seja na área profissional quer seja na área pessoal. Tenho acompanhado desde alguns anos este “fenómeno” tão interessante e potencial da raça humana, da capacidade de nos surpreender-mos (descoberta e conhecimento interior) e pela auto realização. Muitas das vezes encontramos “forças” onde jamais imaginaríamos possível.

Até recentemente, estudos revelavam que o impacto que pais que consumiam de drogas e ou álcool provocavam nas crianças era unicamente negativo, quer a curto e a longo prazo. Contudo a evidencia revela um padrão diferente no impacto neste tipo de problemas. “De uma maneira geral associava-se, com demasiado ênfase no passado, sérios riscos a filhos de pais que apresentavam problemas relacionados com o álcool quando estes atingissem a idade adulta, todavia a resiliência de tal associação/ligação tem sido menosprezada.” (Velleman & Templeton, 2003. Estudos revelam alguns factores que podem minimizar o impacto negativo de problemas relacionados com o álcool e com drogas. Parece que algumas crianças resilientes não desenvolvem problemas significativos, ou não desenvolvem problemas diferentes de crianças, cujos pais não apresentem comportamentos problema relacionados com o abuso de substancias, quer seja na fase da adolescência que seja na fase adulta; eles próprios desenvolvem as suas próprias famílias.

A resiliência pode ser encontrada num numero identificado de factores de protecção e dinâmicas (processo), que presentes podem ser um apoio benéfico para a criança ou o jovem. Podemos considerar factores de protecção a auto estima elevada e a auto confiança, eficácia pessoal, habilidade em gerir a mudança, apresentar um leque variado de competências capazes de resolver problemas, experiência previa de sucesso e auto-realização, tal como crescer numa família pequena, diferenças de idade significativas entre irmãos, separação reduzida durante o primeiro ano de vida da pessoa mais significativa (ex. mãe), laço/vinculo positivo e forte com pelo menos um adulto num papel protector (ex. pais, irmãos e avós), sistema de apoio positivo por detrás desta relação significativa e envolvimento numa variedade de actividades.

O processo do factor de protecção inclui redução no impacto de risco ( “falsificar” / dissipar o risco ou alterar a exposição a esse mesmo risco), redução na cadeia de reacções negativas, manutenção da auto estima e na eficácia pessoal, presença de oportunidades, bem como, competências, temperamento e valores individuais que contribuam para uma utilização eficiente das habilidades pessoais, estilo e características (combinação / referência) do papel dos pais, apoio de adultos significativos, oportunidades positivas em fases de transição da vida pessoal . Como é que a resiliência pode ser promovida e direccionada nas transições chaves da vida ou é em fases de desenvolvimento. Assim em termos de intervenção com crianças e ou jovens afectados por pais com problemas de consumo de substancias é importante que os profissionais, tenham em linha de conta, qual abordagem que melhor se adapta a cada caso, com base em factores de risco ou em factores de protecção; evidentemente esta abordagem irá claramente depender das circunstancias, todavia pode ser determinante permanecer atento a ambas abordagens.

A resiliência tem que ver com a capacidade de um indivíduo para ultrapassar os traumatismos e construir-se apesar das feridas. O funcionamento resiliente edifica-se através de um jogo complexo de processos defensivos de ordem intrapsíquica e de factores de protecçõo internos e externos. O estudo da resiliência vem completar o campo da psicologia clínica e da psicopatologia ao constituir um novo modelo fundado na abordagem do sujeito encarado na sua globalidade, com os seus recursos e os seus processos defensivos assim como com as suas fragilidades.

publicado por João Alexandre Rodrigues

terça-feira, 10 de julho de 2012

Depressão e as cores, um aspecto a ser considerado na resiliência.


Essa semana tem sido de frio e chuva, e me fez lembrar da relevância das cores que o céu pintou e destaco o tom de cinza dos dias nublados. Já se sabe da influência das cores no comportamento humano. Estamos sempre escolhendo cores para representar coisas, símbolos, desejos, sentimentos. Nossos estados mentais (se é que posso chamar assim) podem ser influenciado pelas cores que vemos.
A idade média chamou o tom do cinza como “ A cor da melancolia “, e até hoje o identificamos assim. Por exemplo, Vincent Van Gogh Muitas das pinturas finais de Van Gogh não têm a intensidade luminosa que dominam seus primeiros trabalhos. "Campo de Trigo com Corvos 'é o exemplo mais famoso. A metade inferior da pintura, feito um mês antes de o artista cometeu suicídio, mostra um campo de trigo amarelo brilhante. Mas o céu acima do campo é um ameaçador cinza-azul. Muitos especularam se que o céu era uma indicação de tendências cada vez mais suicidas do artista.
 Van Gogh, Seara com Corvos.
 (Seu último quadro) 

Toda essa projeção pode ser uma projeção do que se está pensando e sentindo, exibindo um comportamento artístico na tela. Mas olha para tela com a reprodução dos sentimentos do artista nos leva a ter os mesmos estados de  Baseado na melancolia que o mesmo projetou. Hoje os investigadores dão credibilidade científica à sua escolha das cores, demonstrando que as pessoas com de desespero, de fato, vêm o mundo em tons de cinza. Depressão não só drena a vida e seu prazer e sua finalidade de sentido, mas também drena o mundo visível do seu contraste. Esse "embranquecimento" efeito pode até ser um fator na causa, ou a manutenção, a depressão, sugerem os pesquisadores.
As descobertas podem ajudar a explicar por que os artistas retratam de forma consistente depressão usando escuridão. Cientistas da Universidade de Freiburg, na Alemanha, que anteriormente mostraram pessoas com depressão se esforçou para detectar diferenças em preto-e-branco de contraste, já realizou testes com a retina, que mostram o impacto da doença é semelhante ao diminuir o controle de contraste em uma TV. O poeta William Cowper disse que" Variedade é o tempero da vida ", mas quando as pessoas estão deprimidas, elas são menos capazes de perceber contrastes do mundo visual. Esta perda parece tornar o mundo um lugar menos agradável. "
Recentemente atendi um cliente Bipolar que disse se sentir muito angustiado quando tempo está nublado, sua queixa foi respondida com uma explicação: Todos nós somos influenciados pelas cores sendo um fator relevante, o tom das cores nubladas te leve a melancolia e angustia... Não pense em ficar em casa por isso, deixando a contingência controlar seu comportamento e com certeza lhe fara ficar mais angustiado ainda.
A busca da boa resiliência deve nos levar a identificar esses fatores, tendo uma tomada de consciência se preparando para possibilidade de ficar angustiado ou até mesmo influenciar no aumento do nível da depressão.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Fatores que contribuem para a resiliência.


Aqui vão alguns fatores que contribuem para uma boa resiliência:

Administração de emoções
Refere-se à habilidade de se manter sereno diante de uma situação de estresse. Ressalta que pessoas resilientes quanto a esse fator são capazes de utilizar as pistas que leem nas outras pessoas para reorientar o comportamento, promovendo a autorregulação. Segundo esse autor, quando essa habilidade é rudimentar, as pessoas encontram dificuldades em cultivar vínculos e, com frequência, desgastam no âmbito emocional aqueles com quem convivem em família ou no trabalho.
Controle dos impulsos
Um segundo fator é o controle de impulsos, que se refere à capacidade de regular a intensidade de seus impulsos no sistema neuromuscular (nervos e músculos). É a aprendizagem de não se levar impulsivamente pela experiência de uma emoção. O autor explicita que as pessoas podem exercer um controle frouxo ou rígido do seu sistema muscular, visto que esse sistema está vinculado à regulação da intensidade das emoções. Dessa forma, a pessoa poderá viver uma emoção de forma exacerbada ou inibida. O controle de impulso garante a autorregulação dessas emoções ou a possibilidade de dar a devida força à vivência de emoções, tornando o grau de compreensão do autor mais sensivel e apurado mediante a situação.
Otimismo
Um terceiro fator é otimismo. Nesse fator, ocorre na resiliência a crença de que as coisas podem mudar para melhor. Há um investimento contínuo de esperança e, por isso mesmo, a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das mãos.
Análise do ambiente
O quarto fator é a análise do ambiente. Trata-se da capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presentes no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro ao invés de se posicionar em situação de risco.
Empatia
A empatia é o quinto fator que constitui a resiliência, significando a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos)(colocar se no lugar do outro).
Autoeficácia
Autoeficácia é o sexto fator, que se refere à convicção de ser eficaz nas ações propostas.
Alcance de pessoas
O sétimo e último fator constituinte da resiliência é alcançar pessoas. É a capacidade que a pessoa tem de se vincular a outras pessoas para viabilizar soluções para intempéries da vida, sem receios e medo do fracasso.

sexta-feira, 6 de julho de 2012


Achei interessante a proposta da autora, em correlacionar as dificuldades vividas pelo povo judeu como uma função de crescimento em direção a resiliência, sendo que não fica simplesmente num depositário individual, mas segue pela tradição os filhos aprendendo com as adversidade dos seus antepassados. 


 A psicóloga e antropóloga Izabella Moreira de Lucena, diretora do Izabella ficou muito feliz com este lançamento do seu livro, principalmente pela ótima acolhida que recebeu no Rio de Janeiro. "Uma psicóloga que estava na plateia me disse, emocionada, que, com a minha palestra, eu a tinha estimulado a estudar sobre resiliência. Este é um dos melhores feedbacks que eu poderia ter recebido, é uma prova de que consegui transmitir o meu recado", afirmou.




 
Resiliência ou resilência é um conceito oriundo da física que se refere à propriedade de que são dotados alguns materiais, de acumular energia quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material - como um elástico ou uma vara de salto em altura, que verga-se até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para o alto.
É medida em percentual da energia devolvida após a deformação. Onde 0% indica que o material sofre deformações exclusivamente plásticas ( plasticidade) e 100% exclusivamente elásticas ( elasticidade) .
O cientista inglês Thomas Young foi um dos primeiros a usar o termo. Tudo aconteceu quando estudava a relação entre a tensão e a defromação de barras metálicas, em 1807. Resiliência então para a física é, portanto, a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido tensão.
resiliência dos materiais, como o aço, é fator determinante para os profissionais de engenharia em todo mundo quando trata-se de estruturas de grande porte como: Ponte Rio-Niterói e a Cidade Administrativa de Minas Gearis e outras inúmeras estruturas construídas pelo homem. Um uso bastante comum para o aço de alta resiliência é na fabricação de molas. Este termo também tem origens na Economia da Natureza ou Ecologia. Pode ser definido como a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto, como por exemplo, uma queimada. Logo, o bioma cerrado costuma apresentar uma grande capacidade de resiliência após uma queimada.
Atualmente resiliência é utilizado no mundo dos negócios para caracterizar pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilibrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresse, ou seja, são dotadas de habilidades que lhes permitem lidar com problemas sob pressão ou estresse mantendo o equilibrio.
Na psicologia vem sendo definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico. No entanto, que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.